Partindo da Base

Este blog foi criado no âmbito da aplicação dos conhecimentos teóricos adquiridos durante as aulas de Jornalismo On line, uma cadeira ministrada no segundo semestre do II ano, na Universidade Eduardo Mondlane. Este blog faz alusão a assuntos políticos, económicos, sociais pessoais do único membro do presente blog e entre outros assuntos. Vale dizer, é generalista. Os conteúdos nele contidos são da inteira responsabilidade do seu autor.

A minha fotografia
Nome:
Localização: Maputo, Polana, Mozambique

Sou um jovem estudante de Jornalismo na Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique. Sou uma pessoa com muita vontade de aprender, de conhecer cada vez mais pessoas novas, lugares novos... Detesto por natureza todas mulheres viciadas, vale dizer, que abusam o sexo, as bebidas alcoólicas e o fumo. Pior ainda, aquelas que até consomem drogas. Adoro tanto assistir "clipes" de música rap.

domingo, setembro 18, 2005

O Ensino Superior em Moçambique

O Ensino Superior Em Moçambique*
O presente artigo tem a pretensão de reflectir sobre os problemas que enfermam o ensino superior em Moçambique. Hoje, talvez mais do que nunca na história da humanidade, a riqueza ou a pobreza de qualquer nação, depende da qualidade do ensino superior. Moçambique é uma nação economicamente débil e com as estruturas das suas universidades num estado crítico, tanto das privadas quanto das universidades públicas.
Sub Financiado Pelo Governo E Doadores Ameaçado O Ensino Superior Em Moçambique
Em Moçambique o ensino superior é sub financiado pelo governo e pelos doadores, o que traz muitas implicações. Para o sucesso do ensino superior em Moçambique é preponderante a existência de docentes de alta qualidade, estudantes bem preparados e dedicados e recursos suficientes. O que se nota nas universidades moçambicanas, existem enormes deficiências em cada uma destas áreas. Como resultado do financiamento pelo governo e doadores, as instituições do ensino superior em Moçambique são politizadas, fragilmente reguladas e corruptas. A qualidade do ensino é duvidosa e o acesso é limitado. São minimamente suficientes pelo menos para compreender a questão da politização, um acontecimento recente: o afastamento por motivos sombrios do Dr. Eduardo Namburete da Direcção da ECA (Escola de Comunicação e de Artes) e da Acessoria de Imprensa da Universidade Eduardo Mondlane, e do Dr. Ismael da Direcção dos Serviços Sociais da mesma universidade (DSS), pelo facto de terem vindo ao público se declararem membros do maior partido da oposição (RENAMO), e encontrando-se, actualmente, a ocupar cargos de deputados na Assembleia da República, desde as últimas eleições que deram vitória à Armando Guebuza e à “malta” de combate ao “espírito de deixa andar”. A burocracia é enorme nas universidades moçambicanas o que cria um espaço para a corrupção, afectando-se, desse modo, a selecção e o tratamento quer dos docentes, quer dos estudantes, quanto dos restantes funcionários não directamente ligados à tarefa de ensino e aprendizagem. A corrupção se faz surtir efeitos de várias maneiras. Só para dar um exemplo, até se contrata docentes preguiçosos, no sentido pessimista do termo. Veja só, um belo dia, um docente em plena aula na turma onde sou estudante, quando falando sobre teorias de comunicação, um discente perguntou-lhe quando é que havia surgido a “Teoria Funcionalista”, ao que respondeu com toda vivacidade e com os olhos bem arregalados, que a “Teoria Hipodérmica” surgira após a revolução industrial. Não se difere, em minha opinião, de perguntar a um docente universitário, quando é que surgiu a Internet, e responder que surgiu após a revolução industrial. Embora eu reconheça que em parte a qualidade do docente é enfermada pelas mal concebidas estruturas de incentivos, ou seja, o pagamento aos docentes é baixo em relação ao que são oferecidos por ocupações profissionais alternativas, até esse extremo é bastante questionável a qualidade deste docente. Ainda no tocante aos docentes em particular, não existem regras punitivas contra a falta do empenho e o excesso do absentismo. Quase se não todos docentes trabalham em part time em várias instituições, e é por essa causa, que prestam pouca atenção à investigação e a outras tarefas conducentes à melhoria da qualitativa do ensino. E a justificação não falta. Ora dizem que eles são assim tratados porque são grandes investigadores, ora porque há falta de pessoas suficientemente qualificadas para a docência, omitindo a verdade – a maioria dos docentes comportam-se como autênticos biscateiros por motivos aqui já mencionados. Por serem fragilmente dirigidas as instituições do ensino superior, verifica-se no seu seio, uma morosidade enorme na tomada de decisões importantes em matéria financeira, académica e de recursos humanos. É corolário disso, por exemplo, o cenário que tem vindo a ter lugar na minha escola – ECA, onde tem sido muito comum, os professores começarem a vir à escola, algumas semanas (três, quatro ou mais) depois do semestre ter arrancado, o que por peculiaridade, tem levado ao incumprimento dos programas das cadeiras em causa.
Universidades Moçambicanas Com Recursos Materiais Insuficientes
O ensino universitário impõe muitas dificuldades nos orçamentos públicos, nos sectores privados e nos doadores internacionais, tal como já teria referido no topo. Porém os problemas persistem. Pessoalmente vivo esses problemas e que vou passar a mencionar apenas algumas: na minha ECA (Escola de Comunicação e Artes), por exemplo, não temos uma sala de informática com pelo menos um computador, onde pudermos fazer os trabalhos que nos forem incumbidos; não temos uma biblioteca e a nossa turma está composta por aproximadamente setenta alunos. Até somos obrigados à ficar com algumas cadeiras em atraso, por falta de condições. Já temos a Informática II em atraso e faço presunção que venhamos a não terminarmos com o Jornalismo On-line, devido ao mesmo problema – “falta de uma sala com computadores”. Não é correcto se pensar que as dificuldades somente existem na ECA por se tratar de uma escola nova. As dificuldades existem em todas as universidades moçambicanas, independentemente de serem ou não recentes, públicas ou privadas. De forma geral, posso afirmar que elas resumem se em: turmas muitíssimo cheias, instalações de bibliotecas e laboratórios inadequados, mal equipadas e poucas se existirem. Ressaltando a questão das bibliotecas, nelas encontram-se livros a poucos exemplares, especialmente os mais procurados, e que nem " param" nas bibliotecas, andando de mão em mão. A maioria desses livros encontra escrita em inglês e em espanhol, o que dificulta nalguns casos, a assimilação das matérias aí contidas. Nós estudantes enfrentamos uma dificuldade de escolher os cursos para neles nos especializarmos ainda cedo, e maioritariamente, antes da matrícula. E uma vez feita a matricula num determinado curso é dificílimo mudar para um outro. Entretanto, nas universidades privadas a situação difere-se um pouco das universidades públicas, no que se refere aos recursos materiais, já que elas cobram taxas mais elevadas, em relação as públicas, o que lhes permite, de certo modo, fazer face de forma razoável, às exigências administrativas e logísticas escolares, e ainda sobrar uma margem lucrativa. A fragilidade das estruturas escolares é inquietante. É pela mesma causa que muitos estrangeiros vêm concluir o ensino superior em Moçambique. Os portugueses constituem um exemplo irrefutável desse tipo de práticas. E por isso que a qualidade do licenciado formado em Moçambique é questionável em confrontação com licenciados formados noutros países, como por exemplo, na vizinha África do Sul. Não é por acaso que a maioria dos dirigentes e, particularmente, os governantes moçambicanos se tenham formado no estrangeiro e que tenham os seus filhos e os parentes mais próximos a estudar no estrangeiro. Em suma, a qualidade duvidosa do licenciado formado em Moçambique tem as suas raízes no sector público sub financiado e o privado com fins lucrativos. A solução de todos os problemas enfrentados no ensino superior não só passa necessariamente da vontade política do governo, como muita gente o pensa. É necessário que todos contribuamos para a sustentação e o reforço das instituições do ensino superior.
Expansão Do Ensino Superior Em Moçambique
Em Moçambique, a expansão do ensino superior é acompanhada de enormes problemas de qualidade e de insuficiência de recursos. Á medida em que se aumentam as instituições de ensino superior, também se aumentam as dificuldades. Será difícil se não impossível, expandir o ensino superior sem dificuldades, enquanto persistirem as restrições orçamentais. Existem muitos cidadãos com nível médio que vagueiam do nascer ao pôr do sol, sem emprego, sem frequentarem qualquer estabelecimento de ensino, devido à falta de dinheiro suficiente para frequentarem nos estabelecimentos de ensino privados, pois, nos públicos existe um “pente fino”, porque as vagas são limitadas e estes jovens nem no mercado de emprego têm fácil aceitação.
Investigações nas Universidades Moçambicanas
Tanto nas universidades privadas bem como nas públicas as investigações científicas são realizadas. Tais investigações são realizadas em cooperação com outras instituições científicas e estão orientadas para análise e procura de soluções dos problemas que afectam a sociedade moçambicana. Os projectos de investigação que vêm sendo realizadas, têm tido um carácter eminentemente aplicativo, procurando-se com frequência, estabelecer e reforçar ligações internacionais, quer como outras instituições científicas quer com organismos públicos que possam vir a utilizar alguns dos resultados obtidos. As investigações levadas a cabo nas universidades moçambicanas, permitem que elas sejam cada vez mais adequadas à realidade nacional, incorporando novos conhecimentos e conferindo ao processo de ensino e aprendizagem um carácter mais dinâmico e mais livre acesso. As investigações nas universidades moçambicanas só são feitas quando surgem casos desastrosos, devido ao facto de os docentes se dedicarem mais em diversas actividades extra-escolares. O pouco empenho no prosseguimento da investigação, reveste a elite nacional de docentes e cientistas, de um espectro de falta de capacidade de investigação, tornando-os incapazes de se manterem em contacto com os desenvolvimentos das suas áreas respectivas. Em consequência disso, Moçambique tem enfrentado dificuldades no concernente à tomada de decisões preponderantes acerca dos problemas internacionais que o ameaçam. Moçambique está assistindo aumentos reais de rendimento, facto que permite que o acesso à formação académica superior, atinja números de famílias cada vez maiores. Desde a sua criação em Moçambique, o ensino superior só formava licenciados, não podendo formar mestrados e doutores devido à falta de condições para o efeito. Porém, desde há três anos que a Universidade Eduardo Mondlane forma mestrados. À medida em que o tempo passa, o número das universidades privadas tende a crescer de uma maneira enorme, por isso, é urgente que se procure saber o que é que o sector privado pode ou não fornecer. Olhemos em seguida o contexto em que surge o ensino superior em Moçambique.
Contexto Em Que Surge O Ensino Superior Em Moçambique
O ensino superior foi pela primeira vez instituído em Moçambique a 21 de Agosto de 1962, em cumprimento do decreto-lei número 44530. A instituição inicialmente era denominada “Estudos Gerais de Moçambique”. Ao ser instituído, o ensino superior em Moçambique, arrancou com nove cursos para os quais só tinham acesso os brancos e hoje conta com mais de vinte e cinco cursos, num País de igualdade de Direitos. A criação dos “Estudos Gerais de Moçambique” tinha a finalidade de formação dos filhos dos colonos para satisfazerem as então necessidades da metrópole, dentre outras enfraquecer a FRELIMO que iniciara a guerra de libertação nacional no Norte da então “Província Ultramarina Portuguesa” e manter contínuo o sistema colonial em Moçambique. Com a independência em 1975, a Universidade foi reestruturada em função da nova dinâmica política e cultural, acompanhando-se, desse modo, as diversas transformações que se operaram no País. Nesse contexto, a Universidade passou a ser denominada “Universidade Eduardo Mondlane” em 1976, em homenagem ao arquitecto da unidade nacional-fundador da FRELIMO Eduardo Chivambo Mondlane. Daí, a universidade passou a estar fundamentalmente orientada para a formação de técnicos superiores moçambicanos, para garantirem a reconstrução do Moçambique dilacerado pelo colonialismo. Visite o site:http://www.mol.co.mz/ensino/ O cenário se modificara num Moçambique socialista. Isso tinha por implicações, a orientação de todos os sectores de actividades, numa perspectiva comunista e o bloqueio do desenvolvimento de quaisquer iniciativas privadas, sendo a maioria se não todas actividades planificadas à nível do governo central. O Governo Moçambicano ciente que para tinha que em primeiro lugar investir na formação de recursos humanos qualificados, centrou a sua atenção na extensão do ensino primário privilegiando muito as raparigas. Isto levou à negligência do ensino secundário e superior, colocando este último num estado perigoso, para mais tarde atribuir uma atenção maior, naturalmente, em comparação com as primeiras décadas após a independência. Recorde-se que com colapso do socialismo em Moçambique teve como impacto, o incremento de capitais privados em diversos sectores de actividades. Foi nesse âmbito que começaram a surgir alguns anos depois, várias instituições de ensino privadas, como são os casos do ISPU (Instituto Politécnico Superior e Universitário), do ISCTEM (Instituto Superior de Ciência e Tecnologia de Moçambique) da (UCM) Universidade Católica de Moçambique e entre outros, e entre outras. Leia o Plano Estratégico para o Ensino Superior que cobre o período entre 2005 e 2010 divulgado pelo Governo de Moçambique e entre outros assuntos a ele inerentes, clicando o seguinte site: http://mailer.mined.gov.mz
* A imagem ao lado é a vista Aérea do Campus Principal da Universidade Eduardo Mondlane, a maior e a mais antiga universidade do País.

0 Comments:

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home