Partindo da Base

Este blog foi criado no âmbito da aplicação dos conhecimentos teóricos adquiridos durante as aulas de Jornalismo On line, uma cadeira ministrada no segundo semestre do II ano, na Universidade Eduardo Mondlane. Este blog faz alusão a assuntos políticos, económicos, sociais pessoais do único membro do presente blog e entre outros assuntos. Vale dizer, é generalista. Os conteúdos nele contidos são da inteira responsabilidade do seu autor.

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Localização: Maputo, Polana, Mozambique

Sou um jovem estudante de Jornalismo na Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique. Sou uma pessoa com muita vontade de aprender, de conhecer cada vez mais pessoas novas, lugares novos... Detesto por natureza todas mulheres viciadas, vale dizer, que abusam o sexo, as bebidas alcoólicas e o fumo. Pior ainda, aquelas que até consomem drogas. Adoro tanto assistir "clipes" de música rap.

quinta-feira, julho 27, 2006

Empresa rouba a vivos e mortos

A empresa de segurança industrial e consultoria, Bassopa Lda., que se proclamou falida nos finais de 2004, cujos postos e uma parte dos trabalhadores continuam a operar sob os auspícios da empresa de segurança Arkhé Risk Solutions, Lda., despediu 65 porcento dos seus trabalhadores, 352, sem que lhes tivesse pago salários, retroactivos e subsídios em atraso, indemnizações, apesar de serem inscritos e descontados para o Sistema Nacional de Segurança Social, INSS. A Bassopa Lda., empresa cujo então director-geral, de nacionalidade holandesa, Henderikus Son, também conhecido por Henk Son, não pagou indemnizações inerentes a alguns casos recentes de morte de trabalhadores, aos legítimos beneficiários ou familiares. Consta nos dados em nosso poder, que do total dos 542 trabalhadores que a empresa tinha, dos quais 423 na região Sul do País, 67 e 53, Norte e Centro, respectivamente, apenas 190 foram integrados na Arkhé Risk Solutions Lda. Os restantes foram para “o olho da rua”, engrossando o número de desempregados, com dívidas de três salários e subsídios há mais de 12 meses, para além de indemnizações. Um ex-vigilante C da Bassopa que se encontra a trabalhar na Arkhé Risk Solutions, que preferiu falar na condição de anonimato, disse que a Bassopa não obedeceu o pré-aviso que, normalmente, se faz com um mínimo de 90 dias antes, “e o patrão, nem sequer sentou com os trabalhadores para lhes esclarecer os motivos de venda da empresa”. Este caso que ressurgiu há aproximadamente dois anos, após a suposta falência da Bassopa, foi despoletado por denúncia de uma vítima de defraudação, Mariana João, que contactou o A TribunaFax, para denunciar a atitude que chamou de arrogante e fuga à responsabilidade de Henderikus Son, quando solicitou que lhe fosse passada uma declaração que confirma que o seu falecido esposo, João Celiano Malolo, foi seu empregado e havia morrido. A denúncia de Mariana João feita à nossa Redacção, teria sido motivada pelo não pagamento do remanescente referente à indemnização, retroactivos, bem como subsídios em dívida, valor estimado em cerca de 9 milhões e oitocentos mil meticais da antiga família. Sobre o caso, a nossa reportagem teve acesso a documentos que indicam que são, no total, dez casos dos mais recentes, 2003, de pessoas que morreram a trabalhar na Bassopa, das quais apenas os familiares de 8 malogrados receberam um "tostão" referente à indemnização, valor que varia de 4 milhões, valor máximo, e 1 milhão e oitocentos mil meticais, valor mínimo. A empresa deve, ainda, aos beneficiários, uma soma de 37 milhões e 454 mil meticais. Este montante não inclui retroactivos, subsídios de chefia e transporte, que já vinham sendo devidos há mais de 12 meses, segundo consta nos dados em nossa posse. À semelhança dos demais, Mariana João contou que o seu esposo faleceu em Maio de 2003, mas veio a receber a primeira prestação de subsídio da morte, 4 milhões de meticais, em Novembro do mesmo ano. De acordo com ela, os familiares dos oito falecidos, receberam os seus magros valores inerentes à subsídios no mesmo dia. "Desde que recebi os 4 milhões a 10 de Novembro de 2003, até aqui não recebi a parte que falta", disse a fonte, acrescentando que "accionei todos os mecanismos visando exigir o pagamento do montante em falta, inclusive antes da empresa ir à falência, mas o meu esforço foi em vão". Prosseguindo, João vincou que “fiz tudo para usufruir dos meus direitos, porque o meu marido pagava seguros, mas não consegui, até que a empresa encerrou as portas. Em seguida, fiz um requerimento dirigido ao director do Instituto Nacional de Segurança Social, INSS, mas não obtive resposta”, disse, ajuntando que ”o meu falecido detém cartão da segurança social, mas quando requeri para desfrutar dos meus direitos, não obtive resposta. E porque não tenho como alimentar meus filhos, estou a tentar de novo”. João refere terem dito no INSS, para que fosse ao Tribunal de Menores, porque havia sido aberto um processo contra a empresa. "Entretanto, dirigi-me ao Tribunal e lá foi-me indicado o advogado David Mathe, do Instituto do Patrocínio e Assistência Jurídica, IPAJ, como a pessoa que me iria assessorar no caso. Porém, nos dias subsequentes, quando fosse ter com ele para lhe abordar sobre o assunto, sempre dizia que está ocupado, ora porque tinha um julgamento e acabei desistindo".